Estrada Maldita (Wind Chill, 2007) é um filme que eu descobri por acaso. Lembro-me de ter lido o título em alguma notícia relacionada ao diretor e fui tentar descobrir do que se tratava.

Na época, a sinopse me pareceu muito interessante: dois jovens universitários viajam para casa para o feriado de natal quando se envolvem em um acidente e ficam presos no meio da neve.

Isso foi suficiente para chamar a minha atenção. Tenho um fraco por road movies, ainda mais se eles tiverem um toque de sobrenatural. E foi exatamente isso que encontrei aqui.

Mais do que uma história de sobrevivência em situações extremas (algo que o recente Pânico na Neve fez muito bem), aqui é o sobrenatural, e não o realismo, que deixa a história mais interessante.

Entretanto, não confunda interessante com imprevisível, já que esse não é o caso aqui. Quem prestar um um pouco mais de atenção vai entender o “grande segredo” de Estrada Maldita logo de início.

Afinal, a tal virada do roteiro não é nem um pouco inovadora, e inclusive já foi utilizada de maneira mais eficaz em outros filmes (não vou citá-los aqui para não estragar a experiência).

Entretanto, o que vale nesse caso não é necessariamente o final da história, mas sim a maneira como ela é contada. E nisso, a direção de Gregory Jacobs merece destaque.

Constante parceiro de Steven Soderbergh (Contágio), onde trabalha como assistente de direção, Jacobs parece ter aprendido bem o ofício, entregando-nos um resultado bastante superior à sua primeira incursão como cineasta, no fraco 171.

É possível ver o domínio Jacobs em relação à linguagem cinematográfica. É notável, por exemplo, a maneira como o cineasta se utiliza dos vultos e sombras rodeando o carro, em cenas genuinamente assustadoras.

Da mesma maneira, sua decisão de nunca se aproximar destes vultos obrigado o público a se surpreender junto com os personagens. E é louvável também que o diretor evite apelar para sustos fáceis, optando por um clima de crescente tensão.

Auxilia nisso, a trilha sonora composta pelo sempre competente Clint Mansel (Cisne Negro) e a fotografia de Dan Laustsen (Terror em Silent Hill).

Existem, é claro, algumas falhas. As decisões tomadas pela personagem de Emily Blunt são bastante inverossímeis, se levarmos em consideração a desconfiança que ela apresenta ao longo de todo o filme.

Da mesma maneira, o filme também não consegue estabelecer uma dinâmica interessante entre o casal. E isto, ao que parece, era um ponto chave na sua concepção.

Defeitos à parte, Estrada Maldita merece ser visto, principalmente pelos amantes de road movies e filmes de terror (me incluo nessas duas listas). Assista e deixe aqui a sua opinião.

Assista ao trailer legendado de Estrada Maldita:

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