(Transformers – Dark of the Moon – EUA – 2011)

Direção: Michael Bay
Roteiro: Ehren Kruger
Elenco: Shia LaBeouf, John Turturro, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rosie Huntington-Whiteley, Patrick Dempsey, Kevin Dunn, John Malkovich, Frances McDormand, Ken Jeong, Leonard Nimoy, Peter Cullen, Hugo Weaving.

Quando somos convidados para uma cabine de imprensa, normalmente chegamos um pouco antes para tomar um café e conversar com os outros colegas de profissão/amigos que freqüentam a mesma sessão. Quando fui convidado a assistir Transformers – O Lado Oculto da Lua não foi diferente, exceto por um detalhe. Pouco antes de entrar na sala, estava conversando com um colega que me disse, em tom de brincadeira, que a única maneira de poder apreciar o longa que iríamos assistir era assim: “Coloca na cabeça que é ruim. Baixa todas as expectativas. Nivela por baixo. Se fizer isso, o que vier é lucro”.

É claro que isso foi uma piada, e que não deve ser levada a sério. Afinal, como críticos nós temos quase que uma “obrigação” de não criar expectativa (positiva ou negativa) em relação ao objeto de análise, pois isso pode prejudicar a nossa avaliação do mesmo. Porém, vamos tentar ignorar o nosso lado crítico por um momento e pensar o seguinte: O que devíamos esperar de Transformers 3?

Analisemos a pergunta acima levando em conta os seguintes argumentos:

1º – É o terceiro capítulo de uma franquia que até o momento não entregou nenhum resultado decente. E, se compararmos a diferença de qualidade entre o primeiro e o segundo, podemos constatar que a série vem declinando gradativamente;

2º – É dirigido, mais uma vez, por Michael Bay, um cineasta que, com 9 longas no currículo, teve seus melhores resultados no começo da carreira, com Os Bad Boys e A Rocha e que, convenhamos, também não são nenhuma obra-prima;

3º – Megan Fox, a beldade que foi revelada no primeiro Transformers (e, possivelmente, um dos grandes motivos das altas bilheterias anteriores), depois de desentendimentos com o diretor, foi demitida;

4º – É uma franquia, baseada numa linha de brinquedos da Hasbro, que conta a história de carros que se transformam em robôs!

Tendo isso na cabeça, cabe fazer aqui outra pergunta: Alguém aí, sinceramente, esperava um filme bom?

Retomarei agora o meu senso crítico para falar um pouco forma, estrutura e conteúdo de O Lado Oculto da Lua. Comecemos pela história: na trama, os Autobots descobrem que o governo havia escondido importantes evidências a respeito de uma nave oriunda de Cybertron (planeta de origem dos robôs) que havia caído na Lua na década de 60 e que foi o real motivo da corrida espacial. Vendo isso como um perigo em potencial, já que a tecnologia contida naquela nave seria extremamente perigosa nas mãos de Megatron (Hugo Weaving), a nave é resgatada e trazida para a Terra, aonde Opitimus Prime (Peter Cullen) consegue reanimar o piloto e seu antigo mentor Sentinel Prime (Leonard “Spock” Nimoy). Paralelo a isso, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) procura um emprego “normal” quando acaba esbarrando em evidências que podem revelar os planos da raça alienígena inimiga e acaba, outra vez, envolvendo-se no meio da guerra de robôs.

Fazendo aqui a sua primeira incursão na tecnologia de filmagem em 3D, Michael Bay achou uma maneira pouco criativa para conter-se em sua linguagem dinâmica e rápida: slow motion. Para quem não sabe, um dos grandes problemas do 3D é o fato de que, com os óculos especiais, os olhos precisam de mais tempo para assimilar a imagem com tamanha profundidade, o que, conseqüentemente, gera a necessidade de criar planos mais longos, dando mais tempo para o público se acostumar com a imagem. Tendo “resolvido” esse problema, Bay aproveita para investir em muitos planos em contra-plongee completamente desnecessários – que servem apenas para mostrar o tamanho da sua profundidade de campo – e para aproximar a bunda de Rosie Huntington-Whiteley, nova namorada de Sam, dos olhos do público masculino.

Além do corpo de Rosie, também estão presentes no elenco os veteranos da série Shia LaBeouf (que volta a gritar incessantemente durante a maioria da projeção), John Turturro (cada vez mais exagerado), a dupla Josh Duhamel e Tyrese Gibson (aqueles que nunca morrem). Ademais, o restante do casting não tem muito tempo em tela para serem lembrados. Vale destacar a curiosa participação do astronauta Buzz Aldrin – que aparece para sustentar a idéia de Bay de dar realismo à sua história, através de imagens de arquivo e discursos reais, algo que cai por terra quando ele escolhe sósias completamente diferentes, o que entrega a “farsa”.

O roteiro – escrito novamente por Ehren Kruger, responsável pelo texto do segundo capítulo – que mais uma vez investe em criar tipos bizarros e situações absurdas, como o personagem de Ken Jeong, acerta ao tentar criar um clima de filme-catástrofe, trazendo a ação para o meio de Chicago (e não no deserto como foi antes) e destruindo a cidade inteira no processo. O problema é que o diretor enxerga esse acerto como uma oportunidade para criar planos ao pôr-do-sol, mais uma vez em câmera lenta, tentando arrancar emoção do espectador, algo que não cabe em um projeto como esse. Afinal, não estávamos falando de um longa de ação descerebrada?

Sendo assim, gostaria de terminar esse texto com mais alguns questionamentos: Tendo em vista tudo o que foi escrito até aqui, quem você acha que vai gostar mais do filme? Aqueles que o analisam criticamente, ou aqueles que seguem os conselhos dados no primeiro parágrafo? Veja aonde você se encaixa e divirta-se (ou não).

Nota: (Razoável) por Daniel Medeiros

O Projeto 7 Marte agradece a Espaço Z, a PalavraCom e o Cinesystem por organizarem a cabine de imprensa onde pudemos assistir a esse filme.

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Assista aqui o trailer.
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